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Publicado na edição n.º 72, de setembro de 2.016, na Revista Fundações  & Obras Geotécnicas da Editora Rudder.

Será que alguém ainda não passou por semelhante situação? Um projeto vem sendo desenvolvido dentro dos padrões usuais, com equipe afinada, stakeholders participativos, bom feedback, mas, de repente surge uma nuvem no horizonte, normal na volatilidade de um conhecido país latino, e dai em diante se nada fizermos prejudicamos nosso equity brand, bem como da nossa empresa e a prometida viabilização de um suado projeto.

Quando surge uma verdadeira coisa dessas, o que fazemos? Então vamos procurar entender essa questão em toda a sua profundidade, afinal precisamos sair dela! Novamente que fazemos? Imediatamente sair da zona do conforto! Diagnosticamos a situação, assim como os cientistas, os médicos e os advogados o fazem! Acontece que eles fazem isso com um método que ainda não desenvolvemos em nosso conjunto de atividades. Ainda estamos muito operacionais!

O problema é que todo mundo me diz o que tem que ser feito, mas ninguém me diz como isso tem de ser feito! E, pior, será que saber apenas como fazer será suficiente? Essas colocações são muito bem observadas, porque sozinhas podem não ser suficientes para alcançarmos uma nova visão.

 Estamos diante de um problema que não mais envolve apenas operação, mas também estratégia, e quais são os pilares que sustentam esse conceito? São três os pilares, com os quais lidamos todos os dias, são os chamados três P’s, e muito bem conhecidos. Eles são as pessoas, o produto e o processo!

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Então, não se distraia com algum desses pilares isoladamente, eles são entrelaçados, não coexistem sozinhos!

Mas até agora continuam não me dizendo o que eu quero saber, como se faz isso?

E não foi dito e nem será, porque o como sozinho não basta! Estamos numa evolução tecnológica intensa, o problema é que ainda procuramos assimilar tudo que está a nossa volta com o uso do piloto automático.

As pessoas não se convencem com o que você faz, elas se convencem de algo porque você faz isso! Isso é um mantra incansavelmente repetido por Simon Sinek, autor de “Start Whith Why”, um excelente palestrante do TED: Ideas worth spreading, e criador do Círculo de Ouro.

Os grandes líderes, os grandes formadores de ideias, possuem, de fato, um padrão de comunicação diferente de nós, e se não for o único é verdadeiramente o seu maior trunfo!

 Você não convence quem precisa de seu produto ou serviço. Você convence para quem acredita no que você acredita. Vamos procurar trazer novos meios para soluções, revolucionando nossa atuação e liderando outra forma de pensar. Antes do Círculo de Ouro comunicávamos de fora para dentro, transmitindo apenas volume de informação, mas não influenciávamos o comportamento de nosso meio com isso. As pessoas podem concordar racionalmente com a simples informação, porém sentem ainda não foi o suficiente para sensibiliza-las ou faze-las acreditar em algo.

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Acabamos de demonstrar que precisamos convencer que somos diferentes e assim nosso projeto é diferente, porque é robusto para as tempestades, realizado como peça única, e o que ele traz é a solução. As pessoas conseguindo os mesmos recursos e oportunidades podem conseguir diferentes resultados, porém o nosso projeto é diferente.

Além de estarmos nos dirigindo a engenheiros, que tem interesse em auditorias, consultorias e perícias, e nesse jogo a ação de cada um é diferente, porém a ideia central aqui apresentada deve a todos outros. Somos altamente qualificados na condução excelente de projetos embora pareça que não saibamos mais disso!

Entra em cena a formulação da engenharia estratégica integrada por uma abordagem sistemática e disciplinada nas especificações, gerenciamento e follow-up de requisitos dos projetos. Estaremos permitindo o consenso de maneira sistemática entre as pessoas, seu produto e os processos envolvidos, eliminando as não conformidades e o retrabalho, esclarecendo a investidores, controladores e até ao público final e acima de tudo minimizando conflitos.

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Tem suma importância tal visão pela engenharia ao estabelecer um novo paradigma que substitui a operação para liderar a estratégia. Como será o day after do Brasil com a Lava-Jato? Estaremos nesse imenso rol de dificuldades por simples acaso? Como em outras áreas profissionais o complience chega com força total e ainda não se percebeu a requalificação da engenharia nesta importante atividade. O compliance deixa de ser simples ferramenta de auditoria e passa a ser um paradigma estabelecendo o estar em conformidade com leis, normas, regulamentos internos e externos pelas organizações e o engenheiro tem capital importância neste processo.

Elevados preceitos morais, ética e o pensar aplicado ao país, estarão ocupando o lugar do dirigismo partidário, ao toma lá-da-cá e muitas outras práticas que não poderão mais existir.

Nossa contribuição como engenheiros não poderá se restringir a simples técnica como temos feito até agora. Exige-se um salto quântico na forma de pensar, ao empregar modernos conceitos de um ser consciencial e integrado socialmente ao conhecimento em constante evolução. Permitiremos pela exemplificação que a engenharia possa ocupar na sociedade seu competente destaque que hoje não mais existe.


alberto_plaxoAlberto Barth é técnico industrial em cerâmica, engenheiro civil, pós-graduado em perícias e avaliações de engenharia, perito judicial, membro titular do IBAPE/SP, diretor desde 1.994, do Escritório Técnico de Engenharia e Consultoria Alberto Barth SS Ltda.