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Tema muito atual, em parte decorrente da fase inicial do crescimento do mercado imobiliário que não se sustentou, obrigando os empreendedores a amargarem uma expressiva queda de vendas de unidades, e complicando ainda mais tal situação, agora comparece a fase de entrega dos empreendimentos cuja não aceitação por seus adquirentes agrava ainda mais o delicado quadro financeiro dos empreendedores, sobretudo numa economia em que o setor da construção civil representa enorme participação.

Segundo a revista Exame em artigo de julho de 2.015, ocorreram cerca de 600 000 demissões em 12 meses. Recuo de 5,6% nas vendas em 2014. Queda de 98% do lucro para as empresas abertas no primeiro trimestre. Perda de 12 bilhões de reais de valor de mercado na bolsa nos últimos 12 meses. Executivos das maiores empreiteiras do Brasil presos. Duas gigantes do setor, a OAS e a Galvão Engenharia, em processo de recuperação judicial.

Se o quadro acima já é grave imagine-se sensivelmente piorado com o acréscimo de ações judiciais contra empreendedores devido a forte presença de pendencias sobre as obras entregues.

A mesma revista Exame revela que apenas no primeiro semestre de 2.014 o número de ações judiciais distribuídas contra construtoras em São Paulo cresceu em 37% sobre o mesmo período de 2.013.  O quanto isto significa no equilíbrio econômico e financeiro destas empresas?

Observamos em nosso escritório grande requisição de serviços seja na área de consultoria como na judicial e numa pesquisa realizada entre 2.011 e 2.016 verificou-se que dentre cerca de 20 empreendimentos ao longo do eixo Rio – São Paulo, a incidência de defeitos era grande e com a repetição dos mesmos de um imóvel a outra, independentemente do agente construtor atuante, nestes termos existe uma falha técnica estrutural da parte dos agentes construtores na especificação e acompanhamento de obras, principalmente em impermeabilizações, fachadas, estruturas e instalações hidráulicas.

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A mesma pesquisa interna baseada em diversas perícias judiciais realizadas ainda demonstrou que grande parte das pendências ou defeitos ocorridos advinham de falhas estruturais no gerenciamento de projetos, onde os gestores entendem esta atividade se confunde com a simples troca de emails entre contratante e contratado.

Ao par disto também se verificou que grande parte dos empreendedores, assim como agentes da construção mantem em sua estrutura um quadro significativo de profissionais altamente treinados em impugnar as solicitações feitas pelos adquirentes das unidades.

O quadro disposto demonstra que o setor da construção civil, amparado em seu sistema de crenças, ainda é bastante conservador, promovendo o elevado número de demandas judiciais contra ele.

Os adquirentes tem se valido muito de pareceres sobre entrega e recebimento de imóveis, o que inicialmente também desvirtua a função deste instrumento criado originalmente como elucidação técnica de um evento, impondo soluções ao invés de confronto.

Os agentes construtores ou empreendedores baseados em cultura própria ao negarem sistematicamente as solicitações dos adquirentes passam diretamente da área de conflito para a área do confronto, obrigando-se a si mesmos a suportarem elevados custos judiciais e indenizações.

Ferramentas como os Procedimentos de entrega e recebimento de obras, devem ser entendidos como poderosos meios de resolução alternativa de conflitos e não como instrumentos de confronto como tem sido equivocadamente empregados.

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Tais pareceres, aliados a técnicas avançadas de auditoria permitem o acompanhamento evolutivo de técnicas e procedimentos aplicados sobre uma obra de construção civil e eles devem ter seu uso realizado não apenas por uma parte dos envolvidos nessas questões, mas por ambos os lados, discutindo ao nível da resolução de conflitos os meios de resolver eficazmente as pendências encontradas, com o auxílio de profissionais especializados e independentes nestes problemas.

Vale portanto a reflexão de tal procedimento tem valia unicamente como ferramenta de confronto ou podendo ser de uso alternativo, mediador e conciliatório sobre conflitos instalados? Servirá esse procedimento como elemento balizador do grau de maturidade empresarial e profissional dos agentes construtores ou empreendedores?

A resposta dada pelos mercados é de que se prefere o confronto e cujos números já vistos apontam como a solução mais ineficaz e custosa. Enfim, qual o valor do brand equity de uma empresa? Ao que tudo indica os mercados ainda não entenderam integralmente todos os componentes desta equação.