SONY DSC

Atuamos num cenário social onde ocorrem mudanças significativas a cada momento, e nesse painel também na engenharia os desafios se renovam, impondo mudanças nas empresas de nosso segmento. Estamos na era da informação e a engenharia atual supera barreiras técnicas nos mais diferentes tipos de indústria, porém isto não é mais suficiente.

Existe um segmento da engenharia, pouco divulgado no mercado em geral, existindo nele um profissional de perfil diferenciado, e que por meio dele poderá facilitar uma mudança. São profissionais que integram a engenharia estratégica, um segmento que para exercício de suas atribuições são exigidas constantes transformações em sua forma de ser.

Culturalmente o avanço fica muito maior na produção do que no controle e prevenção, indo de encontro a alguns setores econômicos mais conservadores, às vezes, aguardando irresponsavelmente um acontecimento indesejável. O mercado das empresas de engenharia passou do crescimento à queda em menos de três anos, o PIB (Produto Interno Bruto) caiu vertiginosamente, e o painel de expectativas mudou para pior, impondo assim um novo ciclo de reflexão e inovações para as empresas e profissionais deste setor.

Por que o termo “engenharia estratégica”? Ele se deve à interface que este segmento da engenharia hoje mantém com a doutrina do direito, e aqui se propõem que ele também alcance a economia e a administração. Isto exige deste profissional, a cumplicidade íntima da moral com a técnica, tratando das atividades ligadas a consultorias, perícias e auditorias de engenharia, comparadas entre si neste texto inicial. Por isso, a recomendação de harmonizar o aperfeiçoamento técnico ao desenvolvimento moral. Os segmentos de consultoria, perícias e auditorias permitem isso com maior facilidade, uma vez que necessitam cada vez mais de formação humana especialmente desenvolvida para o seu desempenho.

A perícia de engenharia desempenhada por engenheiros designados como peritos judiciais, ou assistentes técnicos na instrução inicial ou acompanhamento da perícia, tem o poder de influenciar nas sentenças judiciais, e assim involuntários equívocos do mérito da questão, ou às vezes, voluntários desvios éticos, terminam em desastrosos resultados. Um auditor, por sua vez, na mesma esteira de equívocos e desvios pode prejudicar a imagem de uma empresa ou de funcionários, da mesma maneira ocasionando prejuízos de difícil reparação.

A consultoria é a atuação como especialista, facilitador, mediador de decisões, com o papel de influenciar seu contratante em determinado assunto, e a consultoria tem por característica atuar antes e durante os processos em demanda. Já a perícia é a atuação de um especialista após a realização de um processo, resumindo-se num meio de prova consistente no parecer técnico de uma pessoa habilitada. A perícia se realiza para o processo, ou seja, para os sujeitos principais deste, que requerem, para melhor solução da questão, que o perito não apresente e nem decida, mas simplesmente contribua para o melhor julgamento.

Sendo assim, a auditoria é basicamente o exame minucioso e sistemático das atividades desenvolvidas numa determinada empresa ou setor, e cuja finalidade é averiguar se elas estão de acordo com as disposições planejadas ou estabelecidas previamente, se foram implementadas com eficácia, e se estão adequadas, ou estão em conformidade à consecução dos objetivos almejados. Assim, a auditoria tem a sua atuação pautada pela aferição da rota do processo. O que existe em comum com a figura do consultor, perito e do auditor é a sua formação interpessoal, sua moral, e ética, como já enumeramos nesse texto.

A auditoria de engenharia ainda é relativamente nova, mas já se tem revelado de grande valia para o mercado corporativo, uma vez que ela é uma eficaz radiografia do momento de um determinado setor da empresa ou de seus procedimentos técnicos, entre eles gestão, projetos, qualidade, ambiente e sustentabilidade. Ela também é uma forte aliada da auditoria contábil, seja na avaliação de ativos, seja na liberação de parcelas de determinados tipos de financiamento público, como as obras financiadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), da iniciativa privada, públicas e parcerias público-privadas, e estas podendo ser na forma de auditorias de asseguridade.

Essa prática, respeitando o acima exposto agrega efetivamente valor aos empreendimentos, imóveis, processos e procedimentos, em primeiro lugar porque demonstra da parte dos gestores a vocação da transparência, que nunca esteve tão precisa ao nosso país, depois por indicar a atitude benéfica a todos em modificar algo que não esteja bem de maneira não empírica, e ainda, documentar de forma rastreável todo um histórico do que está sendo auditado, demonstrando robustez e confiabilidade em processos de fusões, aquisições, acreditações e certificações, dentre outros.

Outro particular interesse que este artigo busca trazer é a discussão sobre o estabelecimento do Branding do engenheiro, fazendo com que este além de realizar a gestão sobre projetos, obras e finanças também procure seu próprio Brand Equity, ou seja, impondo a gestão de sua própria marca podendo finalmente resgatar seu espaço na sociedade.

MINICURRÍCULO:

Alberto Barth é técnico industrial em cerâmica, engenheiro civil, pós-graduado em perícias e avaliações de engenharia, perito judicial, membro titular do IBAPE/SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo), diretor desde 1994, do Escritório Técnico de Engenharia e Consultoria Alberto Barth SS Ltda.